sábado, 13 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Entrevista a um ultra NoName
Bem o movimento ultra foi entrevistar um ultra da curva sul da luz,aqui fica a entrevista.
Boa tarde,antes de mais muito obrigado por ceder esta entrevista ao movimento ultra.
1-Qual o principal objectivo dos NN?
Boa tarde. Os NN sempre tiveram o mesmo objectivo desde a sua fundação que é apoiar o Benfica incondicionalmente em todo o lado. A filosofia do grupo é a mesma que todos conhecem, é o nosso lema : Sempre Presentes.
2-Porque se juntou aos NN e qual o seu objectivo de se juntar aos NN?
Desde pequeno que adoro o movimento ultra, acompanho sempre as claques internacionais desde muito pequeno. Enquanto outros jogavam na net, eu andava a informar-me sobre o que se passava pelo mundo ultra. Não me revejo a ver futebol doutra forma , apenas ali na curva a saltar. Depois claro, os NN sempre foi um grupo que me cativou, não é uma moda como muitos dizem, é um sentimento, e ainda para mais, amo o Benfica, pelo que me juntei a este grupo para dar tudo pelo meu clube.
3-A quanto tempo esta nos NN?
Sensivelmente 4 anos, desde 2007
4-Antes de se juntar aos NN,já admirava este modo de vida?
Como já respondi em “2” , sim, desde cedo admirava este fantástico mundo e seguia-o com todo o intresse.
5-Existe algum episodio marcante e porque?
O último titulo do Benfica, pelas razoes obvias. Foi uma festa espectacular em que não faltou nada, foi a loucura total, antes, durante e depois do jogo, enchemos o marques e o apito final e a explosão no topo sul é uma coisa que nunca vou esquecer. Depois, o meu primeiro derby frente ao Sporting na curva. O meu coração batia rapidamente, as minhas pernas tremiam… houve uma grande tochada nesse jogo, foi sem duvida um grande ambiente.
6-Qual foi a transferta que o marcou mais e porque?
Braga, o ano passado, apesar da violência dos ACABS… foi mais pelo convívio, consegui reencontrar amigos que não vejo todo o ano, e gostei de lá apoiar… apesar de tudo, vale mais do que qualquer derby, as amizades que temos e fazemos…
7-Em que estilo se enquadra mais,velho estilo ou a nova guarda?
Defendo e enquadro-me mais nos velhos valores, mas apesar de tudo acho que a nova guarda também tem bons valores mesmo com os seus devidos problemas. Há que orientar e ensinar aos mais novos os valores desta cultura. Não caiam na critica fácil aos mais novos, pois se eles não compreendem ou não fazem o que e pedido, a culpa passa muito pela velha guarda que não os cativa nem ensina.
8-O que tem a dizer sobre o futebol negocio e a legalização das claques?
Como todos os ultras deviam pensar, na minha opinião, o futebol negocio estragou o futebol. Não vale a pena dizerem que a culpa é dos ultras, pois quem o diz não apresenta factos credíveis nem sabe do que fala. Já se falarmos do futebol negócio, conseguimos provar que é o verdadeiro cancro que esta a consumir o futebol : preços altos, horários, enfim, não há respeito para com os adeptos! Em relacçao as claques legalizadas, eu não concordo, mas cada grupo tem a sua mentalidade e só se legaliza quem quiser
9-Qual o jogo que o marcou mais devido a um grade apoio por parte dos NN,ou uma grande fumarada?
Foi no ano em que entrei , 2007, clássico na luz frente ao porto. Foi a maior tochada que presenciei, alias, todo esse ano foi utilizada muita pirotecnia na curva , o que eu gosto muito. Apesar de não termos sido campeões, foi um excelente ano nas bancadas.
10-O que acha dos parasitas na curva?
Há que haver um maior controlo por parte dos responsáveis do grupo para impedir que gente dessa estrague o trabalho dos outros. É uma coisa que me irrita mas que muitas vezes e incontrolável. É frustrante ver gente que nem sabe o que esta cultura significa estragar o que tantos se dedicam todos os segundos da sua vida.
11-O que acha do panorama ultra nacional?
Bom… esta pergunta é algo vaga… Acho que os valores antigos se estão a perder, penso que devemos agir rápido para que não morra a cultura ultra portuguesa. Não somos dos melhores no mundo das claques, e ainda há muito trabalho a fazer. De um modo geral se compararmos com os outros países, acho que lá fora há mais resistência ultra contra o sistema, há mais luta, há mais tudo. Tirando Espanha e Itália, há claques de grande qualidade, o caso da Turquia, Grécia, croácia, sérvia, bósnia, Eslováquia e mesmo os países que não damos tanta importância a nível de claques como a Alemanha e a Holanda têm grandes grupos.
12- O que acha da utilização de potes de fumo/tochas/petardos? E acha que deveriam ser legalizados?
Acho que é pura estupidez estarem ilegalizados. As tochas são vulgarmente confundidas com very lights e esse é um dos grandes problemas : os ACABS e a comunicação social não sabem fazer a distinção. Depois, toda a gente sabe que os potes de fumo são inofensivos, não são nocivos para a saúde, basta olhar para os rótulos. Mais perigoso é inalar fumo de charutos, mas isso ninguém fala ! Mais, não entendo porque é legal comprar material pirotécnico porque não é considerado perigoso, mas depois dizem que não pode entrar no estádio porque é perigoso. É um paradoxo, uma hipocrisia…
13-Se tivesse que optar por os NN serem uma claque com um grande espectáculo visual, ou um grande apoio vocal,o que escolheria?
Nada. Adoro o apoio visual, acho espectacular a cultura do “excesso” se é que me entendem , excesso de bandeiras, estandartes, acho também muito bonito os tifos embora no meu grupo não se faça muitas vezes… mas o poder vocal é essencial, penso que todas as claques têm de ter uma vertente visual mas obviamente que o poder vocal é a base de tudo – e isso não falta aos rapazes sem nome.
14- O que acha da brutalidade policial em jogos de futebol?
Acho condenável, a repressão é bastante, quase em todos os jogos, quem vai para lá sabe do que falo. Quem não está dentro disto pode dizer que estou a exagerar mas acho simplesmente idiota terem quase que me despir em busca de seja o que for. Vejam o Sporting – Benfica em futsal. Eu estava lá e não entendi o que se passou. A policia mandou acalmar a nossa claque, quando nós estávamos a dizer que não fizemos rigorosamente nada, entram os ACABS dentro da curva e começam á bastonada… vergonha!
15- Qual o episodio que o marcou mais pela negativa?
O mesmo que em “14”. A repressão foi muita, não ouviram a nossa parte e houveram bastonadas a mais, uma detenção de um membro pacifico… enfim, mais do mesmo, infelizmente isto não e caso único, mas gostava que me deixassem apoiar o meu clube…
16- O que acha dos tifos?
Sou “fan”. Apesar do meu grupo não tifar muito… adoro os tifos, embora ache que todos devem ser feitos a mão, mesmo que saiam mais borrados que mandados imprimir, quem fez um tifo sabe do que falo, passar tardes com os amigos, beber umas cervejas e deitar mãos a obra, vai-se ensaindo cânticos contando-se histórias, é o ambiente que se quer… Imprimidos não tem mística nenhuma a meu ver. Sou grande apreciador dos tifos da Torcida Verde apesar de ser uma claque do meu clube rival, um tifo que me impressionou foi um que dizia “ULTRAS” verde e branco totalmente feito a mão… grande trabalho!
17-O que tem a dizer sobre os restantes grupos da luz e a sua mentalidade?
Não é correcto pronunciar-me sobre outros grupos que não conheço por dentro, posso apenas falar do que vejo. O que vejo, é que os Diabos tem grande mentalidade e estão a superar o mau momento que atravessaram, e benéfico para o mundo ultra e para o panorama nacional.
18-Qual foi a deslocação a Alvalade (se fez) que o marcou mais e porque?
A do ano passado apesar de tudo. Não fomos campeões, mas eu gostei muito, houve direito a tochada e tudo, foi um grande apoio em todo o jogo, loucura total. Levámos bastante gente, e foi o primeiro jogo que testei as tochas da ultrasshop, antes do jogo. O cortejo também foi muito bom.
19-O que tem a dizer sobre a cultura casual nos NN e hoje em dia como acha que esta a politica dentro dos NN?
Para mim, a politica fica fora da curva visto que não tem nada a ver nem com ultras nem com futebol. Em relacção á cultura casual, os NN nunca foram muito ultras se pensarmos bem, sempre houve um grande movimento casual dentro da curva. Não sou nem a favor nem contra, eu tenho a minha mentalidade (ultra) e não interfiro com a dos outros, cada um tem os seus valores…
20-Qual foi o apoio num jogo de futsal que o marcou mais?
Não tenho nada de especial a dizer num jogo de futsal, para ser sincero não acompanho muito o futsal. Talvez um Benfica – belenenses que creio que foi há 2 ou 3 anos onde gostei do apoio e a curva estava cheia.
21-Que tipo de “atmosfera” se enquadra na luz, e nos NN em dias de Derby ?
Todos nós pensamos nesse jogo a semana toda obviamente… quando acordamos de manhã sentimos que é o grande dia, vamos o mais cedo possível para o estádio, ensaiam-se cânticos, prepara-se tudo, conversa-se… na hora do jogo há sempre a tensão habitual com os nossos rivais, que penso que e perfeitamente normal, e claro que há sempre picardias o que também acho que não tem nada de extraordinário. E um jogo que damos ainda mais importância que os outros, e o jogo que ninguém falha !
22-Que amizades os NN actualmente tem?
Ao contrário do que se pensa, os NN não tem amizade com a torcida split. Tem sim, alguns membros da velha guarda. Apesar de tudo, muita gente do grupo presta homenagem á claque do Hadjuk, como vêem, houve uma festa na Luz no dia em que o Hadjuk fez 100 anos. De resto, o grupo não tem nenhuma amizade que seja comum ao grupo todo, penso eu.
23-O que acha do roubos de faixas/panos entre claques?
Alguns roubos são cobardes e só prejudicam o movimento, como o roubo aos DUXXI pelos ultras do levski. Por um lado, é algo clássico que faz parte desta cultura, por outro o que começa num roubo de um pequeno pano, pode acabar numa batalha campal. Na minha opinião, é mau… mas roubos de faixa como nos 80s acho que é algo intressante.
Obrigado por ter respondido as perguntas ,com os melhores cumprimentos movimento ultra.
Boa tarde,antes de mais muito obrigado por ceder esta entrevista ao movimento ultra.
1-Qual o principal objectivo dos NN?
Boa tarde. Os NN sempre tiveram o mesmo objectivo desde a sua fundação que é apoiar o Benfica incondicionalmente em todo o lado. A filosofia do grupo é a mesma que todos conhecem, é o nosso lema : Sempre Presentes.
2-Porque se juntou aos NN e qual o seu objectivo de se juntar aos NN?
Desde pequeno que adoro o movimento ultra, acompanho sempre as claques internacionais desde muito pequeno. Enquanto outros jogavam na net, eu andava a informar-me sobre o que se passava pelo mundo ultra. Não me revejo a ver futebol doutra forma , apenas ali na curva a saltar. Depois claro, os NN sempre foi um grupo que me cativou, não é uma moda como muitos dizem, é um sentimento, e ainda para mais, amo o Benfica, pelo que me juntei a este grupo para dar tudo pelo meu clube.
3-A quanto tempo esta nos NN?
Sensivelmente 4 anos, desde 2007
4-Antes de se juntar aos NN,já admirava este modo de vida?
Como já respondi em “2” , sim, desde cedo admirava este fantástico mundo e seguia-o com todo o intresse.
5-Existe algum episodio marcante e porque?
O último titulo do Benfica, pelas razoes obvias. Foi uma festa espectacular em que não faltou nada, foi a loucura total, antes, durante e depois do jogo, enchemos o marques e o apito final e a explosão no topo sul é uma coisa que nunca vou esquecer. Depois, o meu primeiro derby frente ao Sporting na curva. O meu coração batia rapidamente, as minhas pernas tremiam… houve uma grande tochada nesse jogo, foi sem duvida um grande ambiente.
6-Qual foi a transferta que o marcou mais e porque?
Braga, o ano passado, apesar da violência dos ACABS… foi mais pelo convívio, consegui reencontrar amigos que não vejo todo o ano, e gostei de lá apoiar… apesar de tudo, vale mais do que qualquer derby, as amizades que temos e fazemos…
7-Em que estilo se enquadra mais,velho estilo ou a nova guarda?
Defendo e enquadro-me mais nos velhos valores, mas apesar de tudo acho que a nova guarda também tem bons valores mesmo com os seus devidos problemas. Há que orientar e ensinar aos mais novos os valores desta cultura. Não caiam na critica fácil aos mais novos, pois se eles não compreendem ou não fazem o que e pedido, a culpa passa muito pela velha guarda que não os cativa nem ensina.
8-O que tem a dizer sobre o futebol negocio e a legalização das claques?
Como todos os ultras deviam pensar, na minha opinião, o futebol negocio estragou o futebol. Não vale a pena dizerem que a culpa é dos ultras, pois quem o diz não apresenta factos credíveis nem sabe do que fala. Já se falarmos do futebol negócio, conseguimos provar que é o verdadeiro cancro que esta a consumir o futebol : preços altos, horários, enfim, não há respeito para com os adeptos! Em relacçao as claques legalizadas, eu não concordo, mas cada grupo tem a sua mentalidade e só se legaliza quem quiser
9-Qual o jogo que o marcou mais devido a um grade apoio por parte dos NN,ou uma grande fumarada?
Foi no ano em que entrei , 2007, clássico na luz frente ao porto. Foi a maior tochada que presenciei, alias, todo esse ano foi utilizada muita pirotecnia na curva , o que eu gosto muito. Apesar de não termos sido campeões, foi um excelente ano nas bancadas.
10-O que acha dos parasitas na curva?
Há que haver um maior controlo por parte dos responsáveis do grupo para impedir que gente dessa estrague o trabalho dos outros. É uma coisa que me irrita mas que muitas vezes e incontrolável. É frustrante ver gente que nem sabe o que esta cultura significa estragar o que tantos se dedicam todos os segundos da sua vida.
11-O que acha do panorama ultra nacional?
Bom… esta pergunta é algo vaga… Acho que os valores antigos se estão a perder, penso que devemos agir rápido para que não morra a cultura ultra portuguesa. Não somos dos melhores no mundo das claques, e ainda há muito trabalho a fazer. De um modo geral se compararmos com os outros países, acho que lá fora há mais resistência ultra contra o sistema, há mais luta, há mais tudo. Tirando Espanha e Itália, há claques de grande qualidade, o caso da Turquia, Grécia, croácia, sérvia, bósnia, Eslováquia e mesmo os países que não damos tanta importância a nível de claques como a Alemanha e a Holanda têm grandes grupos.
12- O que acha da utilização de potes de fumo/tochas/petardos? E acha que deveriam ser legalizados?
Acho que é pura estupidez estarem ilegalizados. As tochas são vulgarmente confundidas com very lights e esse é um dos grandes problemas : os ACABS e a comunicação social não sabem fazer a distinção. Depois, toda a gente sabe que os potes de fumo são inofensivos, não são nocivos para a saúde, basta olhar para os rótulos. Mais perigoso é inalar fumo de charutos, mas isso ninguém fala ! Mais, não entendo porque é legal comprar material pirotécnico porque não é considerado perigoso, mas depois dizem que não pode entrar no estádio porque é perigoso. É um paradoxo, uma hipocrisia…
13-Se tivesse que optar por os NN serem uma claque com um grande espectáculo visual, ou um grande apoio vocal,o que escolheria?
Nada. Adoro o apoio visual, acho espectacular a cultura do “excesso” se é que me entendem , excesso de bandeiras, estandartes, acho também muito bonito os tifos embora no meu grupo não se faça muitas vezes… mas o poder vocal é essencial, penso que todas as claques têm de ter uma vertente visual mas obviamente que o poder vocal é a base de tudo – e isso não falta aos rapazes sem nome.
14- O que acha da brutalidade policial em jogos de futebol?
Acho condenável, a repressão é bastante, quase em todos os jogos, quem vai para lá sabe do que falo. Quem não está dentro disto pode dizer que estou a exagerar mas acho simplesmente idiota terem quase que me despir em busca de seja o que for. Vejam o Sporting – Benfica em futsal. Eu estava lá e não entendi o que se passou. A policia mandou acalmar a nossa claque, quando nós estávamos a dizer que não fizemos rigorosamente nada, entram os ACABS dentro da curva e começam á bastonada… vergonha!
15- Qual o episodio que o marcou mais pela negativa?
O mesmo que em “14”. A repressão foi muita, não ouviram a nossa parte e houveram bastonadas a mais, uma detenção de um membro pacifico… enfim, mais do mesmo, infelizmente isto não e caso único, mas gostava que me deixassem apoiar o meu clube…
16- O que acha dos tifos?
Sou “fan”. Apesar do meu grupo não tifar muito… adoro os tifos, embora ache que todos devem ser feitos a mão, mesmo que saiam mais borrados que mandados imprimir, quem fez um tifo sabe do que falo, passar tardes com os amigos, beber umas cervejas e deitar mãos a obra, vai-se ensaindo cânticos contando-se histórias, é o ambiente que se quer… Imprimidos não tem mística nenhuma a meu ver. Sou grande apreciador dos tifos da Torcida Verde apesar de ser uma claque do meu clube rival, um tifo que me impressionou foi um que dizia “ULTRAS” verde e branco totalmente feito a mão… grande trabalho!
17-O que tem a dizer sobre os restantes grupos da luz e a sua mentalidade?
Não é correcto pronunciar-me sobre outros grupos que não conheço por dentro, posso apenas falar do que vejo. O que vejo, é que os Diabos tem grande mentalidade e estão a superar o mau momento que atravessaram, e benéfico para o mundo ultra e para o panorama nacional.
18-Qual foi a deslocação a Alvalade (se fez) que o marcou mais e porque?
A do ano passado apesar de tudo. Não fomos campeões, mas eu gostei muito, houve direito a tochada e tudo, foi um grande apoio em todo o jogo, loucura total. Levámos bastante gente, e foi o primeiro jogo que testei as tochas da ultrasshop, antes do jogo. O cortejo também foi muito bom.
19-O que tem a dizer sobre a cultura casual nos NN e hoje em dia como acha que esta a politica dentro dos NN?
Para mim, a politica fica fora da curva visto que não tem nada a ver nem com ultras nem com futebol. Em relacção á cultura casual, os NN nunca foram muito ultras se pensarmos bem, sempre houve um grande movimento casual dentro da curva. Não sou nem a favor nem contra, eu tenho a minha mentalidade (ultra) e não interfiro com a dos outros, cada um tem os seus valores…
20-Qual foi o apoio num jogo de futsal que o marcou mais?
Não tenho nada de especial a dizer num jogo de futsal, para ser sincero não acompanho muito o futsal. Talvez um Benfica – belenenses que creio que foi há 2 ou 3 anos onde gostei do apoio e a curva estava cheia.
21-Que tipo de “atmosfera” se enquadra na luz, e nos NN em dias de Derby ?
Todos nós pensamos nesse jogo a semana toda obviamente… quando acordamos de manhã sentimos que é o grande dia, vamos o mais cedo possível para o estádio, ensaiam-se cânticos, prepara-se tudo, conversa-se… na hora do jogo há sempre a tensão habitual com os nossos rivais, que penso que e perfeitamente normal, e claro que há sempre picardias o que também acho que não tem nada de extraordinário. E um jogo que damos ainda mais importância que os outros, e o jogo que ninguém falha !
22-Que amizades os NN actualmente tem?
Ao contrário do que se pensa, os NN não tem amizade com a torcida split. Tem sim, alguns membros da velha guarda. Apesar de tudo, muita gente do grupo presta homenagem á claque do Hadjuk, como vêem, houve uma festa na Luz no dia em que o Hadjuk fez 100 anos. De resto, o grupo não tem nenhuma amizade que seja comum ao grupo todo, penso eu.
23-O que acha do roubos de faixas/panos entre claques?
Alguns roubos são cobardes e só prejudicam o movimento, como o roubo aos DUXXI pelos ultras do levski. Por um lado, é algo clássico que faz parte desta cultura, por outro o que começa num roubo de um pequeno pano, pode acabar numa batalha campal. Na minha opinião, é mau… mas roubos de faixa como nos 80s acho que é algo intressante.
Obrigado por ter respondido as perguntas ,com os melhores cumprimentos movimento ultra.
Entrevista torcida verde ao Gruppo Storico
TV: Quando se formaram?
GS: O grupo foi fundado em 2002 quando começamos o campeonato na serie C. O nome escolhido foi "Gruppo Storico UV73" porque foi fundado pelos líderes dos míticos "Ultras Viola 1973". Este grupo liderou a "Curva Fiesole" durante 10 anos e acabou devido à perseguição policial após confrontos com os adeptos da Roma em Florença.
TV: Valores e ideais desses tempos?
GS: Os nossos principais ideais são a amizade entre todos os membros, a lealdade às cores do clube, pois os jogadores e dirigentes mudam mas a Fiorentina permanece para sempre. E por último a honra em defender o nosso nome, a nossa bandeira e os nossos ideais.
TV: O vosso Grupo tem um património histórico importante. Na vossa sede podem encontrar-se várias gerações que transmite a ideia de serem também uma família.
GS: Sim, é verdade. No nosso grupo existem pessoas com 50 e outras com 18 anos. Porque nós acreditamos que num grupo é importante a experiência de alguém mais velho aliada ao entusiasmo de um mais novo. Logicamente, no grupo, os mais jovens ligam-se e identificam-se com os novos e os mais velhos com os mais velhos. Mas sempre que vamos ao estádio ou viajamos, ficamos sempre juntos.
TV: Qual o vosso segredo?
GS: O Gruppo Storico não é o maior grupo na "Curva Fiesole" em termos de número de membros. O maior é o Collettivo Autonomo Viola (CAV). No entanto somos muito respeitados na curva e pelos outros clubes, porque os nossos fundadores fizeram a história da "Curva Fiesole". E também porque somos um grupo que, sempre que há problemas com outros adeptos, estamos sempre presentes para defender os nossos ideais e apoiar a Fiorentina em Itália e na Europa. Por isso, frequentemente recebemos certificados e mensagens de apoio de vários adeptos que não apoiam o nosso clube.
TV: Como definem o conceito de espírito de grupo?
GS: Em primeiro lugar somos um grupo de amigos com uma paixão em comum: a Fiorentina. Não temos problemas com nenhum grupo da "Curva Fiesole", mas gostamos de ser independentes e autónomos. Em Itália, quando viajamos, frequentemente vamos sozinhos em carrinhas de 9 lugares ou carros. Na Europa, nunca fizemos um voo charter, preferimos viajar sozinhos usando as companhias "low cost", em pequenos grupos de 10-15 pessoas. A amizade entre nós é a base para tudo o resto.
TV: Como caracterizam um "Gamellagio" (amizade) com outros grupos?
GS: Temos 3 amizades em Itália e 2 na Europa, cada uma com a sua história.
Torino: Uma boa amizade com uns dos melhores ultras em Itália. A amizade é ajudada pelo facto de termos um "inimigo" em comum, a Juventus (a outra equipa de Turim), mas a nossa amizade vai para além do ódio à Juventus. Nós frequentemente vamos a curva deles e eles vêm a nossa, em Florença.
Hellas Verona: Uma amizade que nasceu nos anos 70 após violentos confrontos, onde restaram muitos feridos entre nós e eles. Depois disso, nasceu uma bela e profunda amizade. Eles são adeptos de direita, mas em Florença a política nunca entrou na curva, por isso a amizade com o Verona é aceite mesmo por pessoas com ideais de esquerda.
Catanzaro: Infelizmente a militância deles da Série C2 não nos permite encontrar à vários anos, mas sabemos que a admiração e respeito permanece entre nós. A amizade nasceu em 1982, quando no último dia do campeonato estávamos a jogar para vencer a liga. Nós jogávamos contra o Cagliari e a Juventus estava a jogar em Catanzaro. E os adeptos do Catanzaro começaram a cantar pela Fiorentina.
Liverpool: A ultima que fizemos. Sempre admiramos os adeptos dos "Reds" e tentámos estabelecer uma amizade. Finalmente, no ano passado, quando fomos a Liverpool contra o Everton, indicámos contactos com os "Reds". Este ano, em Florença, oficializámos a amizade. Muito graças ao esforço do Gruppo Storico.
Sporting: Deixamos-vos para o fim, mas não com menos mérito. Gostamos bastante da amizade que temos convosco. Sempre gostámos das boas vindas que tivemos em Lisboa quando jogámos convosco para a Champions League. E mesmo os adeptos que não pertencem a nenhum grupo da Fiorentina, rapidamente ficaram a gostar do Sporting. Mas no geral ficámos bastante felizes com a vinda da Torcida a nossa sede. Desta maneira pudemos ver-vos, falar convosco e percebemos que a vossa mentalidade e maneira de ser "ultra" é muito similar à nossa, Grupo Storico. Esperamos encontrar-vos brevemente, manteremos contacto até isso ser possível.
TV: O que acham do preço bilhetes?
GS: Logicamente o preço dos bilhetes está demasiado alto. Em Florença temos o custo mais elevado quando comparado com as restantes "curvas" de Itália. Acreditamos que deveriam baixar os salários dos jogadores e que se devia restringir os direitos televisivos. E claro, o preço dos bilhetes devia ser mais baixo.
TV: E dos horários dos jogos?
GS: Não gostamos das diferentes horas a que os jogos são marcados. E a partir do próximo ano irão passar a haver inclusivamente jogos ao meio-dia aos Domingos. Somos forçados a fazer 600/800 Km numa tarde de Domingo para ver um jogo ás 21h. Quem organiza os horários de jogos sabe muito bem que no dia seguinte as pessoas têm de trabalhar, mas há muito pouco respeito pelos adeptos.
TV: E relativamente aos agentes dos jogadores?
GS: Os agentes dos jogadores são a ruína do futebol. Em vez de olhos só têm cifrões, só vêm dinheiro. Acabaram com o mito dos jogadores que jogavam por amor à camisola e que permaneciam toda a sua carreira no mesmo clube.
TV: O que pensam da "Pay TV"?
GS: A "Pay TV" é a responsável pela hora a que os jogos são marcados. Infelizmente na Europa, as organizações preferem favorecer o consumidor que está no sofá em casa a ver o jogo, do que os Ultras que vão ao estádio.
TV: E das falências de diversos clubes em toda a Europa?
GS: Isso é um assunto delicado para nós em Florença. Em 2002 a Fiorentina faliu por uns milhões de euros, enquanto que clubes como a Roma ou Lazio que têm muito mais dívidas puderam continuar a gastar. O Real Madrid tem muitas dívidas para com vários bancos, mas mesmo assim pôde comprar Kaka, Ronaldo e outros jogadores. O plano da UEFA, se alguma vez for posto em prática, de excluir da competição os clubes que tenham dividas, pode voltar a repor justiça no futebol.
TV: Que fazer?
GS: Iremos continuar a seguir a Fiorentina, em casa e fora, acreditando nos nossos ideais e nas nossas cores. A nossa esperança é que vocês na Europa League venham a Itália, para que possamos passar um dia juntos e apoiar o Sporting com vocês.
TV: Falem-nos da vossa experiência inesquecível - o retrocesso à Série C1 e o retorno à Série A.
GS: Vendo hoje, depois de 7 anos, podemos dizer-vos que foi uma experiência positiva. Em 2 anos passámos de jogar em Wembley com o Arsenal, para quintas e pequenas vilas em Itália que nem conseguíamos encontrar no mapa. Mas os adeptos responderam sempre, mesmo na Série C tínhamos 30.000 adeptos no estádio. Felizmente encontrámos alguns dirigentes que querem ganhar em Florença, por isso ganhámos a Série C e no ano seguinte a Série B. Chegámos à série A com uma estabilidade que nos permitiu ser uma equipa do top 4 da liga. Por isso vos dizemos, ir a série C foi uma boa experiência, mas não queremos voltar a repetir.
TV: Qual a importância dos Centros Sociais na formação do movimento Ultra?
GS: Perguntam-me pelos centros sociais, mas podemos dizer-vos que em Florença a politica permanece fora do estádio. No nosso grupo e em todos os grupos da Fiorentina existem pessoas com diferentes ideais, mas quando entramos no estádio só existe a Fiorentina. Na vida do dia a dia cada um faz e diz o que quer, mas nós preferimos não misturar política com futebol.
TV: Quais os verdadeiros valores do ideal ultra na vossa opinião?
GS: Os ideais que os grupos devem ter (e nem todos têm, pelo menos não em Itália) são os mesmo que referi anteriormente: Amizade, lealdade e honra.
TV: O movimento ultra em Itália parece atravessar uma grave momento. Há mesmo quem diga que os valores dos anos 70 e 80 não estão presentes na maior parte das curvas. Que se passa?
GS: É a ultima pergunta, mas a mais difícil de responder. A repressão da polícia tornou-se cada vez maior. Em Itália, por exemplo, existe a "Daspo" que é uma medida em que alguém for apanhado a fazer algo fora dos regulamentos, fica interdito de ir a um estádio por um período que vai de 3 a 5 anos. Lentamente, foi afastando líderes de vários grupos e vários grupos caíram nas mãos dos mais novos e acabaram por se extinguir. Também nos anos 80 a droga teve um grande impacto, matando muita gente, arruinando muitas famílias e, por isso, afastou uma geração dos estádios. Além disso, hoje em dia o fenómeno ultra mudou bastante em relação ao que era há 20 anos e somos forcados a adaptarmo-nos. Por exemplo, o facto de cada grupo ultra ter o seu próprio Website é uma demonstração dos tempos modernos.
GS: Por fim, todos nós do Gruppo Storico gostaríamos de felicitar a Torcida Verde. Obrigado pela vossa amizade e demonstrações de como não se esquecem de nós. Esperamos encontrar-vos brevemente.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
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